TRANSLATE:

21.11.17

Consciência negra além da cor no Brasil e no Mundo - 20 de novembro

No dia da consciência negra no Brasil, 20 de novembro de 2017, fiz 3 posts relacionados ao tema e o último foi o que mais gerou comentários e dúvidas nos leitores.
Conhecer para superar!
Primeiramente gostaria de enfatizar que a ideia de classificação dos homens por cores e “raças” está atrelada à dominação econômica e ao colonialismo. Apesar deu gostar de fazer o resgate cultural das origens de costumes, como em diversos dos meus trabalhos e posts (veja sobre tranças, religiosidade, meu trabalho com arte, etc.) eu sou contra a categorização da raça humana e colocar as pessoas em caixinhas.
 “Hoje aparece como solidamente demonstrado que a noção de raça foi inventada para justificar as relações de dominação colonial, em particular a escravidão.” Leia mais aqui.
Portanto, o objetivo desse post é ressaltar a riqueza brasileira, para aceitarmos nossa igualdade como seres humanos. Nossas diferenças estão presentes na individualidade de cada um (não determinadas por grupos) e os erros de representação do passado devem ser dissolvidos pela paz e pelo amor. OM!
 Então os posts de ontem foram:
1. A existência da ideia de superioridade racial no Japão, em união com a Itália fascista de Mussolini, no contexto da aliança Alemanha-Itália-Japão (veja as bandeiras referentes acima)
2. A importância do congresso do Panamá para o fim do escravismo na América Latina (do qual o Brasil imperial intencionalmente não participou)
  3. O que mais reverberou foi esse:
Dentre as dúvidas surgiram questionamentos acerca dos dados apresentados e sobre as diferentes misturas culturais brasileiras.
Os dados do IBGE indicam a porcentagem de 54% da população do Brasil é de negros. A estatística denomina os afro-brasileiros de negros, divididos em pretos e pardos.
O que isso significa? Que o Brasil é o país com maior população Negra fora do continente africano, e o segundo país com maior população negra depois da Nigéria.

Em relação aos E.U.A. os números percentuais e absolutos de negros no Brasil é muito superior:
BRASIL: 54% negros X EUA: 12%-14% negros
Fiz esse gráfico para facilitar a visualização:
O que ressalta a presença de negros nos Estados Unidos, na minha opinião: história recente de segregação, aspectos culturais, fortes movimentos de resistência e cinematografia estadunidense.
Sobre a diferença do racismo brutal dos EUA e o racismo velado no Brasil, leia:
No Brasil a miscigenação é muito grande, do total de 54% negros, enquanto 8% se declaram pretos, 45% se declaram pardos, que configura a descendência “misturada”, por exemplo, o cafuzo – negro com indígena.
Para saber os países com maior população negra no mundo fora do continente africano:
1º Brasil - 85.783.143
2º Estados Unidos - 38.499.304
Seguidos dos países:
3º Colômbia
4º Haiti
5º Republica Dominicana
6º França
7º Jamaica
8º Venezuela
9º Reino Unido
10º Cuba
Fonte dessa classificação.
Chega de números! Olhos nos olhos. Precisamos superar qualquer índice, qualquer porcentagem e ver além da cor, precisamos do reconhecimento da africanidade brasileira e do mundo, pois somos todos um.
Conhecida a história de dominação e os efeitos nefastos da exploração do "outro", é preciso eliminar a ideia de "outro", de "outsiders", de "raça" e substituir esse padrão colonizador por união e respeito. As identificações étnicas hoje em dia perpassam limites geográficos ou coloridos. Nesse sentido eu vejo uma positiva influencia do movimento transgênero no sentido da liberdade de identidade.
O verdadeiro limitante reside na problemática da violência e agressividade do ser humano. A imposição de um sobre outro, de ideias, de como alguém deve se vestir ou não pode se vestir, de como alguém pode ou não falar... A pessoa que tiver o respeito dentro de si, o amor e a união não pode ser subjugada por outro, seja branca, negra, amarela ou cores do arco-íris.
OM! 

18.8.17

FASHION REVOLUTION: CURSOS ALERT!

O IMODA - Instituto de Negócios de Modaé um instituto parceiro do Fashion Revolution. Eu conheci a idealizadora do IMODA (Mari) em 2015 no FASHREVFLORIPA. Esse ano ela ajudou a organizar o FASHREV Pedra Branca e eu ajudei a Bárbara Poerner com o FASHREV de Floripa.
Depois de muito planejar vamos finalmente unir as forças revolucionárias da moda e dia 30 de setembro vou contribuir com o curso de Direito e Moda promovido por esse instituto. Vou falar sobre Moda e Direito Ambiental e a advogada Flávia Correa, também sempre parceira dos eventos do Fashion Revolution, vai ensinar sobre Direito autoral e moda. Tópicos super importantes para quem quer ser original e sustentável! #ficaadica #moda #direitoambiental #imoda #fashionlaw
Aproveito para divulgar a programação dos demais cursos desse semestre.
Acesse a página do facebook para mais informações - IMODA
Em breve mais detalhes sobre o curso do dia 30 de setembro na Pedra Branca. Se programe!

11.7.17

Credenciamento para Associações e Cooperativas de Reciclagem de Florianópolis - Destinação de Resíduos do TJSC


O Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a fim de cumprir as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, disponibiliza o processo de credenciamento às associações de reciclagem com sede em Florianópolis para coleta e destinação final ambientalmente adequada de resíduos.
A Lei n.12.305/2010 incentiva a participação de associações de catadores, inclusive sua inserção na  coleta seletiva. 
A Secretaria de Gestão Socioambiental e a Diretoria de Material e Patrimônio (DMP) do TJSC comunicam a abertura do Edital n. 70/2017 para o credenciamento de associações e/ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis, com vistas à realização de serviço periódico de coleta e destinação final ambientalmente adequada de resíduos recicláveis nas unidades do TJSC e fóruns situados em Florianópolis.
Para mais informações, acesse o resumo informativo e os documentos necessários no link Gestão Socioambiental > Formulários ou acesse o edital diretamente no link Licitações, Contratos e Fornecedores.
RESUMO:
As associações e cooperativas interessadas poderão solicitar o seu credenciamento a qualquer tempo, desde que vigente o edital de credenciamento, mediante a entrega do requerimento anexo ao edital preenchido e da documentação de habilitação prevista no item 4.
O requerimento pode ser feito por e-mail ou em papel com entrega de envelope no endereço citado acima (ambos legíveis e sem rasuras), contendo:
a) Requerimento de Credenciamento preenchido sem rasuras (Anexo IV)
b) Declaração (Anexo V)
c) Associações – comprovação da inscrição do ato constitutivo no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, na forma do Código Civil/2002 / Cooperativas – ver edital;
d) Licença Ambiental de Operação – LAO, em vigor junto à Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina – FATMA para central de triagem de resíduos recicláveis – classe II.
e) Declaração item 4.2 – Edital 70/2017 (ver modelo)
f) Proposta de roteiro (ver modelo)
Dúvidas: credenciamento@tjsc.jus.br (48) 3287 – 2044 / reciclar@tjsc.jus.br (48) 3287 - 8530

7.6.17

Logística Reversa - Política Nacional de Resíduos Sólidos

Compartilho aqui parte do meu estudo sobre logística reversa, a pedido de uma colega que participa do Fashion Revolution e contribui para o aproveitamento de resíduos transformando livros velhos em bolsas super estilosas. A Katya Lichtnow, que já põe em prática a ideia de reaproveitamento e produção sustentável quer saber mais sobre logística reversa.

Em 2009 eu escrevi meu projeto de TCC da graduação, com base no Projeto de Lei 203/91, que tratava de Resíduos Sólidos e estava tramitando há quase 20 anos. Eu me perguntava se aquelas ideias iriam realmente ser aprovadas e promulgada a Lei que traria como obrigação, a nível nacional, a logística reversa. Estava muito empolgada e durante o processo de escrita do TCC em 2010, quando "de repente", em agosto, a Lei 12.305/2010 foi promulgada! Corri para rever o primeiro capítulo e adaptar tudo o que eu já havia escrito sobre o projeto de lei, supressões e alterações. Os lobbies que atrasaram a promulgação da lei também emperram sua eficácia e 8 anos depois, ainda há muito o que conquistar e por em prática.
Mas o conceito ainda precisa ser difundido. 

A versão final da Política Nacional de Resíduos Sólidos suprimiu a classificação antes prevista no art. 11, inciso II, do PL 203/91, que não deixa de ser pertinente ante a óptica de aproveitamento mantida na lei.

Art. 11. Os resíduos sólidos serão classificados:
[...]
II - quanto à finalidade:
a) resíduos sólidos reversos: resíduos sólidos restituíveis, por meio da logística reversa, visando o seu tratamento e reaproveitamento em novos produtos, na forma de insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos; e
b) rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos acessíveis e disponíveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.

Esse critério atenta à possibilidade de aproveitamento dos resíduos. Os ditos reversos caracterizam-se pela capacidade de reutilização, reemprego ou reciclagem e, inversamente, os rejeitos são aqueles inaproveitáveis, que serão eliminados e afastados por completo do fluxo de consumo. Apesar desse artigo 11 ter sido suprimido na forma de uma das propostas no projeto de lei, o raciocínio foi mantido, o que é possível constatar, por exemplo, no art.36 da atual Lei 12.305, que prevê a adoção de "procedimentos para reaproveitar os resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis” e no corpo da Lei traz coleta seletiva, logística reversa e outros institutos alinhados com a produção e consumo sustentáveis.

LOGÍSTICA REVERSA
A responsabilidade pós-consumo, ou logística reversa, é medida empregada aos resíduos que demandam destinação adequada a fim de evitar a poluição e contaminação do solo. Esse dever, à cargo dos poluidores, mostra-se imprescindível para resíduos de alta periculosidade. 

A Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS (Lei n.12.305/2010) reuniu no art.33 alguns tipos de resíduos já anteriormente regulados por Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambienta - CONAMA, por terem características peculiares e alto potencial poluidor (agrotóxicos, pneumáticos, pilhas e baterias, óleos lubrificantes e embalagens, lâmpadas fluorescentes, e acrescentou também os resíduos "eletroeletrônicos e seus componentes", dentre os tipos de resíduos que devem fazer uso da logística reversa.
O direcionamento da obrigação de gerir a destinação dos resíduos aos "fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes", denomina-se responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e visa tornar possível a reinserção do material que foi enjeitado de volta ao ciclo de produção, formando uma cadeia.

CONCEITOS NA PNRS
Os conceitos expostos no art. 3º da referida lei explicam os conceitos tratados:
IV - ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final;
[...]
XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada;
[...]
XVII - responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei;

LOGÍSTICA REVERSA PÓS-VENDA E PÓS-CONSUMO
Paulo Roberto Leite (2006, p.18), engenheiro industrial, autor do livro "Logística Reversa: Meio Ambiente e Competitividade", diferencia logística reversa pós-venda de pós-consumo. Segundo ele, a logística reversa pós-venda refere-se a bens que não foram usados, ou pouco usados, mas por diferentes motivos (erro no pedido ou uso da garantia, por exemplo) retornam ao comerciante ou fabricante enquanto a logística reversa pós-consumo refere-se aos "produtos em fim de vida útil ou usados com possibilidade de reutilização e os resíduos industriais em geral." A PNRS tutela o segundo tipo, bens de pós-consumo, pois trata-se na verdade dos resíduos sólidos, já conceituados como "objetos corpóreos, apropriáveis e que por serem desinteressantes para o seu detentor, ele enjeitou.” (ARAGÃO, 2006, p.81).

Há uma peculiaridade atinente à possibilidade de o Poder Público colaborar com a logística reversa, que originalmente é responsabilidade exclusiva dos fabricantes. Neste caso, o Estado será devidamente remunerado na forma acordada, como prevê o art. 33, § 7º. Além disso, é dever dos Municípios providenciar a coleta seletiva (de plástico, vidro, papel e metal), instituto diferenciado da logística reversa.


RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA
A logística reversa depende das ações da responsabilidade compartilhada (veja o conceito acima).

Resumidamente, o art. 33, VI, e o § 4º assentam que o consumidor, ao decidir se desfazer de algum produto entre os listados acima, tem o dever, ao invés de jogá-lo no lixo comum, levá-lo até o comerciante ou fabricante e este, por sua vez, deve dar a destinação adequada ao aparelho, dependendo do seu estado. Essa obrigação mostra-se consoante ao direito-dever fundamental do meio ambiente equilibrado. Se por um lado a pessoa tem o direito de manter ou aumentar sua qualidade de vida com o meio ambiente saudável, por outro lado tem o dever de agir para sua preservação e não contribuir para sua degradação, conforme o art.225 da Constituição Federal.

O dever do consumidor, que se beneficiou com o produto, está em acondicioná-lo adequadamente (sem misturar com outros tipos de resíduos) e transportá-lo de volta ao comerciante ou ao fabricante. O fabricante e os demais integrantes da responsabilidade compartilhada, que lucraram com a venda do produto, têm o dever de manejar os resíduos sólidos gerados e fornecer informações completas ao órgão municipal sobre as ações de sua responsabilidade, conforme dispõe o § 8º do art.33, além de informar a população sobre outros pontos de coleta que forem implantados para tornar o descarte mais acessível a todos 

RESÍDUOS ESPECIAIS - LOGÍSTICA REVERSA OBRIGATÓRIA
Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de: 
I - agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas;
II - pilhas e baterias;
III - pneus;
IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
V - lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;
VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
LOGÍSTICA REVERSA EM SANTA CATARINA

O Estado de Santa Catarina prevê a logística reversa para produtos eletroeletrônicos que contenham pilhas e baterias, bem como lâmpadas, pilhas e baterias em si, desde 2000, em razão da lei n.11.347/2000 (que dispõe sobre a coleta, o recolhimento e o destino final de resíduos sólidos potencialmente perigosos que menciona)

TAREFA DE CASA
Procurar os pontos de coleta na sua cidade para cada um dos itens listados e proceder o retorno viabilizando a logística reversa.
Onde se informar? Para o descarte de lâmpadas pelo número SAC - Serviço de atendimento aos consumidores - dos produtos que adquirir.  Para o descarte de pilhas e baterias, geralmente há coletores nos supermercados. O descarte de óleo depende que você acondicione o óleo de cozinha em casa em embalagens adequadas. Por telefone ou no site da prefeitura também é possível acessar algumas informações.

DESCARTE DE ELETRÔNICOS EM FLORIPA
O site da prefeitura de Florianópolis, por exemplo, indica que os eletrônicos podem ser separados para a coleta da COMCAP - Companhia Melhoramentos da Capital, bem como direcionados aos coletores credenciados (que não recebem aparelhos elétricos, mas apenas eletrônicos). Conforme informação no site, a referência para a destinação de eletrônicos, na capital, é o Comitê para Democratização da Informática, ONG sem fins lucrativos que possui um programa de reciclagem tecnológica denominado Reciclatec (FLORIANÓPOLIS, 2010.).

#SEJA CURIOSO #INFORME-SE #FAÇAALGO

Meu TCC e outras Referências

OLIVEIRA, Luisa Bresolin. Tutela Ambiental e Política Nacional dos Resíduos Sólidos:
uma análise sobre a responsabilidade pós-consumo dos resíduos eletrônicos. 2010. Disponível na Biblioteca do CESUSC.

ARAGÃO, Maria Alexandra de Sousa. O princípio do nível elevado de protecção e a revovação ecológica do direito do ambiente e dos resíduos. Coimbra: Almedina, 2006.
FLORIANÓPOLIS. COMCAP. E-lixo: Saiba o que fazer com resíduos eletrônicos. Disponível em:
<http://portal.pmf.sc.gov.br/entidades/comcap/index.php?pagina=notpagina&noti=350>. Acesso em: 1 nov.2010.
LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Pearson Prentice, 2006.

7.5.17

Moda e Meio Ambiente - Fashion Law e Leis Brasileiras de Proteção Ambiental.

FASHION LAW e Direito Ambiental. Acessível para leigos. Apresento legislação pertinente para quem estuda moda e/ou quem se interessa em saber alguns dispositivos legais pra compreender o diálogo entre proteção ambiental e a indústria da moda. Por uma moda mais sustentável.

No Fashion Revoution 2017 eu participei de uma mesa na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), em que o tema central era resíduos sólidos. [Se vc não sabe o que é Fashion Revolution leia o post anterior]
Na exposição, citei a algumas leis brasileiras que embasam a defesa do meio ambiente, aplicáveis em situações ocorre dano proveniente da indústria da moda (Um flashback da palestra do FashRev2016) e aprofundei um pouco alguns conceitos presentes na Política Nacional de Resíduos Sólidos. 
Após as palestras e o debate, um dos participantes me pediu para lhe escrever citando essas leis, o que lhe ajudaria a embasar um projeto social que estava criando. 
Topei e acho que pode ser útil para outras pessoas no mesmo caso e também pesquisadores da moda e outras áreas que não estejam familiarizados com a legislação, a fim de incentivar pesquisas multi/interdisicplinares que dialoguem com o tema Moda X Meio Ambiente/Sustentabilidade X Direito Ambiental.

A legislação é de fácil acesso, toda disponível online, no site do Planalto. Clique e acesse:
A seguir vou pincelar alguns dispositivos que foram mencionados, explicitando alguns artigos (quais partes das leis nos interessam mais):
Primeiramente. saliento que a Constituição Federal do Brasil prevê o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, no art.225. É uma boa oportunidade para muitos de consultar a Constituição Federal pela primeira vez.
A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6938/81) é uma lei anterior à Constituição Federal, que foi recepcionada por esta, e já dispunha sobre a proteção ao meio ambiente.  No art. 10, prevê a necessidade de controle de atividades potencialmente poluidoras (é o caso da indústria têxtil) e sobre a responsabilização dos poluidores (art. 14, § 1).
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n. 12305/2010) traz uma série de conceitos muito interessantes no art. 3 (IV e XIII), que abordei na palestra do FASHREVFLORIPA2017, dentre os quais: o que é ciclo de vida do produto e padrões sustentáveis de produção e consumo. 
De acordo com as definições da PNRS:

* ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final; 

* padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e consumo de bens e serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das gerações futuras;

Além disso, essa norma estabelece, no art.6, princípios de suma importância (como o da prevenção) e objetivos, dos quais saliento (art. 7, II, III):
* não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos; 
* estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços; 
A percepção do ciclo de vida dos produtos é indispensável para se pensar numa produção de "moda mais sustentável". A sustentabilidade dos produtos, inclusive de vestuário, não pode ser pensada somente no produto em si (por exemplo, é feito de material reciclado), é preciso pensar na diminuição ou erradicação de impactos socioambientais desde a idealização do design, da fabricação, até a disposição final. Ou seja, tudo que está relacionado à produção, distribuição, ao uso e disposição final. Tratar sobre o ciclo de vida merece um novo post!
Passemos às demais normas.
 A Lei de Proteção à Fauna (5197/67) proíbe a caça de animais silvestres, seja para comercialização das espécies ou de produtos/objetos que impliquem sua caça (art. 3) ou para exportação de peles e couro de anfíbios e répteis (art. 18). 
A caça de animais silvestres também é disciplinada no art.29 pela Lei de Crimes Ambientais (9605/98), que é de suma importância para crimes decorrentes da indústria têxtil, porque nela também é estabelecido o crime de poluição por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos em desacordo com leis e regulamentos (art.54, § 2, V). 
Por fim, cito a Resolução 237 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que elenca a Indústria Têxtil, em seu anexo I, como uma das atividades potencialmente poluidoras, sendo necessário o licenciamento ambiental previamente à instalação e operação das seguintes atividades:
- beneficiamento de fibras têxteis, vegetais, de origem animal e sintéticos
- fabricação e acabamento de fios e tecidos
- tingimento, estamparia e outros acabamentos em peças do vestuário e artigos diversos de tecidos
- fabricação de calçados e componentes para calçados
O licenciamento é composto por três licenças: Prévia, de Instalação e de Operação.
O desrespeito à obrigação de licenciamento, o descumprimento das regras impostas pelo órgão ambiental competente como condição para exercício da atividade e/ou a desobediência às normas ambientais vigentes podem implicar sanções de cunho administrativo (até mesmo o embargo de obra ou atividade), civil (mediante ação civil pública) e criminal (com base na supracitada lei de crimes ambientais).
Que esses insights legislativos inspirem o respeito à legislação, pela proteção ambiental e à criação de moda sob a luz do princípio da prevenção e do objetivo de produções sustentáveis, que considerem os impactos socioambientais de todo o ciclo de produção.
Espero ter ajudado. Se precisarem de mais alguma informação, é só deixar um comentário abaixo.
Por uma moda mais sustentável, abraços aos fashionistas revolucionários!

26.4.17

Hoje, 26 de abril de 2017. 19h. Udesc-Ceart. Fashion Revolution Floripa.
Venha ouvir, falar, pensar moda sustentável com gente top, engajada, especialistas e curiosos.

21.4.17

Fashion Revolution - A Revolução da Moda

O que é o Fashion Revolution?
Pergunte-se:
Quem fez suas roupas?
Do que suas roupas são feitas?
Por quê consumimos tanto?
Essas são algumas perguntas que o Fashion Revolution propõe.
Slow Fashion! Um convite ao consumo consciente, à valorização da produção local e ao uso de tecnologias sustentáveis.
Os preços das roupas nos grandes magazines são muitas vezes inacreditáveis e dá vontade de comprar até o que a gente não precisa. Mas... para se conscientizar, pense no que está por trás de tudo isso. Porque alguém está pagando. A humanidade está pagando e o meio ambiente também.
O Fashion Revolution é o estopim da revolta contra o consumismo cego e exagerado.
É um movimento descentralizado, global, celebrado especialmente na data de 24 de abril.
Como surgiu?
O movimento relembra uma tragédia ocorrida em 2013.
Em 24 de abril de 2013, o edifício Rana Plaza, de 8 pisos, desabou em Savar, Daca, capital de Bangladesh.
Foram 1.127 mortos que ali trabalhavam em fábricas e um centro comercial, para marcas de roupas que muitos de nós já usamos. Essa pessoa fez sua roupa.
Mesmo sabendo das rachaduras e das condições de trabalho, a ordem era de continuar a produzir.
Essa fonte afirma algumas das marcas que faziam uso daquela mão-de-obra, tais como Benetton da Itália e Mango e El Corte Ingles da Espanha, Primark do Reino Unido.
O fato gerou indenizações milionárias, leia nessa notícia, que cita algumas outras marcas envolvidas que imediatamente tentaram compensar o dano.
Mas os danos são perpetuados em razão da indústria Fast Fashion, que incentiva o consumo desenfreado a preços uber competitivos que refletem em condições de trabalho de baixa qualidade, por vezes equiparadas à escravidão. O descaso com o meio ambiente como forma de diminuir os custos de produção é outro fator que deve ser combatido.
Informe-se, participe todos os anos dos eventos Fashion Revolution, e incorpore novas ideias nas suas escolhas diárias sobre o que comprar, como comprar e sobre não comprar!!!

Fashion Revolution para uma moda menos estética e mais ética.
Colaboradora do Fashion Revolution Floripa, Luísa Bresolin.